Eu gosto de cócó.
Cócó é bom.
Fazer cócó significa que estamos bem.
Quem não gosta de fazer cócó?
De chegar a casa com o cócó quase a sair, desapertar o mundo e deixar o cócó voar?
Quem não é feliz por fazer cócó?
Infelizes aqueles que não são felizes por fazerem cócó.
Até o casaco vesti para escrever um poema ao cócó.
Também porque estava frio.
Mas também porque era sobre cócó.
O cócó é do povo, é da nobreza, do clero e da burguesia.
Seja ele mais comunista ou fascista, conservador ou liberal.
Sempre que o vemos é uma alegria!
Quem se importa que ele seja do Benfica?
Sim, é obvio que o cócó é do Benfica.
Pessoas há que comparam o cócó ao xixi!
Mas… haverá comparação?
Xixi faço no Rossio, para o cócó é preciso alma.
É preciso estarmos em paz com nós próprios, não deixar ninguém partilhar.
Sermos egoístas e saborearmos o cócó para nós próprios.
O cocó é lindo!
Tem beleza como nada mais na natureza.
Luz alguma conseguiria iluminar qualquer outra coisa como ilumina o cócó.
O cócó é a revolta dos sentimentos.
O cócó é poesia.
“O estrume saiu da sanita (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o cócó sem metafísica.
(O dono da sanita chegou à porta.)
Como por um instinto divino o cócó voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó cócó! e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da sanita sorriu.”
Faço de tudo isto o meu elogio ao cócó.
Não que não mereça muito mais, mas vem do coração.
Sei que ele vai estar sempre lá.
Hei-de chorar e sorrir, e cócó lá estará.
É bom sabermos que coisas há com as quais podemos contar até ao fim das nossas vidas.
Algés, 10 de Novembro de 2004 (à tarde)